Histórias do Parque

Lazer para socializar e tranquilizar

Quando o sol ilumina a sala, ainda nas primeiras horas da manhã, ele já está em polvorosa. Balança o rabo, estica o corpo peludo e pula para tentar apressar o tutor. Demonstra ansiedade com os olhos redondos e late como se dissesse: “Ei, está na minha hora. É o meu momento. Avia, humano!”. Esta é, aliás, a melhor parte do dia. Daqui a pouco, quando a ansiedade do passeio se espalhar na pracinha do Parque del Sol, ele sabe: o cheiro de mundo vai enfim entrar pelo focinho para uma aventura sinestésica.

Ao cruzar os limites do condomínio e pisar oficialmente na área comum do parque, as quatro patas aceleram. O início é sempre assim, intenso. Há pressa para tudo: sentir o cheiro de outros cães, as texturas da areia e da grama entre os coxins e até mesmo o toque da criança corajosa que não resiste à fofura de uma pelagem canina.

Só lá pela segunda ou terceira volta no entorno da praça as patas começam a desacelerar para acompanhar o ritmo do tutor. Então o passo vira quase uma marcha sincronizada, com a guia que prende a coleira incomodando cada vez menos o pescoço. Esse ponto do passeio é de liberdade. A guia não tensionada – ou mesmo a retirada dela, para os cães adestrados – dá a sensação de que o espaço é infinito. Livre para ir e vir em um determinado raio de espaço, ele foca no focinho e nos olhos de desbravador.

O passeio se repete duas vezes ao dia no mesmo lugar, mas há sempre mais um cheiro, um gosto novo ou uma textura diferente para ser descoberta. É o gosto salgado da pipoca que o menino deixou cair sem querer, o perfume novo da senhora que passou, o carinho das mãos engelhadas do idoso que joga conversa fora do banquinho.

Nem tem como não se empolgar. O latido chama atenção para a alegria do momento ou tenta impor relação de poder aos cães menos chegados. O contato com as crianças também é especial: ali, se desenvolve uma relação saudável que envolve cumplicidade e carinho.

As patas marcham no ritmo do tutor o quanto podem, até o cachorro sucumbir ao cansaço. Língua rosada para fora, água gelada abundante para recuperar. Já é hora de voltar para casa. Com uma opção de lazer assim tão perto, nem tem porquê latir e se estressar com qualquer barulho que venha do corredor. É melhor dormir e descansar porque, no fim da tarde, tem aventura de novo!

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