Histórias do Parque

Rodrigo: Na observação exigida pelo trabalho diário, o sonho de mais parques para a cidade

Já se foram sete anos desde que Rodrigo Barbosa de Moura percebeu que precisaria aguçar seus cinco sentidos para conseguir a atenção necessária a um bom porteiro. Da guarita elevada do condomínio Málaga, no Parque Del Sol, o rapaz de 28 anos observa o monitor que divide a imagem de pelo menos 30 câmeras de segurança e que ele usa para controlar quem entra e sai pelo portão de pedestres. Mesmo com tanta coisa para prestar atenção, ainda sobra tempo para o simpático Rodrigo prosear com moradores e distribuir simpatia para visitantes e prestadores de serviços que cruzam a sua portaria.

A apresentação de Rodrigo é exemplar: cabelos cortados e um pequeno topete bem penteado no topo da cabeça. Todas as manhãs, ele usa uma moto ou uma bicicleta para cruzar o espaço entre o bairro Jardim das Oliveiras, onde mora, e o Parque del Sol. Chega ao trabalho sempre muito cedo, por volta das 6h da manhã. Do alto da portaria do Málaga, ele não perde o costume de observar o entorno enquanto pensa na maravilha que seria ter aquele espaço de lazer em mais áreas da cidade. O pensamento, porém, não tarda a ser interrompido. Na portaria, é preciso foco.

“Tem gente que ainda pensa que ser porteiro é só fechar e abrir portão, mas aqui tem que ter atenção e muita responsabilidade. Tudo passa por mim, pela minha portaria”, diz Rodrigo, pouco antes de ser interrompido por uma moradora em busca das chaves da academia. Pouco tempo depois, o interfone toca e um entregador de água chega. Rodrigo revela boa memória e lembra com naturalidade do número de apartamento de vários moradores, as mãos coladas no interfone porque o seu ofício é, na maior parte do tempo, o da escuta.

Rodrigo observa as imagens da câmera de segurança e fala ao interfone simultaneamente e com a naturalidade de quem conseguiu estimular os diferentes sentidos para as tarefas cotidianas. Ele fala da profissão com respeito e se diz grato porque foi praticamente no Málaga que cresceu. “Eu trabalhava aqui de zelador, passei cinco meses e já fui pra portaria”, comemora. “Eles me convidaram pra mudar, e troquei de profissão pra crescer”, emenda, com uma voz muito calma.

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